Escutando a Cidade – Nosso trabalho silencioso no burburinho da cidade

O coletivo “Escutando a cidade” nasceu a partir dos interesses comuns que já circulavam nos espaços de trabalho do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes. Alguns de nós buscando unir o trabalho com a imagem e a formação em psicanálise, outros mergulhados na errância da vida e do asfalto. O fato é que o encantamento com a cidade nos uniu. Em nós há uma perambulação permanente que constrói uma cartografia própria.

Partimos do desejo de conhecer a cidade através de uma visão da psicanálise que excede o interior do sujeito e se expande para uma experiência estético-reflexiva sobre o que circula entre os campos social e individual. Iniciamos nossas atividades como "escutadores” daquilo que nos convida a cidade.

Começamos trabalhando com a Cia Mundana, em A selva dacidade. A peça foi sendo construída nas experiências de ocupar espaços pela cidade. Participamos de ensaios e discussões com o grupo. Depois, na busca dos “lugares de memórias difíceis” da cidade de São Paulo, a visita ao Parque do Gato, conjunto habitacional inicialmente pensado como como proposta inovadora de democratização de moradia através de locação social.

Penetramos uma franja de miséria, descaso público e riscos insuspeitáveis no universo “marginal".

Fomos então convidados pela residência artística da Ocupação Cambridge para pensarmos algum projeto conjunto.

O grupo acostumado com as deambulações, viu-se capturado por um território fixo. Por uma necessidade própria, que marca nossa existência, voltamos a deambular. Andamos pela Barra Funda descobrindo cantos e estórias. Tomamos o trem e junto com o grupo Estopô Balaio escutamos a triste história do Jardim Romano, destruído por uma enchente do Rio Tietê. Tomamos posições próprias na triste história da Cracolância.

Nosso trabalho é silencioso. Temos preferidos nos imiscuir nas franjas do não institucionalizado.

Hoje, pensamos que clínica é essa. Essa da escuta da cidade.

 

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